O meu poema preferido do Manuel Bandeira é aquele no qual ele diz acender um cigarro e lembrar de todas mulheres que ele amou.
A idéia da postagem de hoje é mais ou menos essa também, mas para ser mais exato, é sobre uma garota que eu amei secretamente, e que, talvez se a timidez tivesse sido menor, poderia ter sido uma grande paixão, vivida intensamente, sob um raio de sol, numa tarde de verão, numa praia qualquer (aiaiai, esse poeta enrustido que carrego dentro de mim...).
Eu tinha dezesseis anos, viajava pelo Nordeste com a minha família, estava hospedado em um hotel em Porto Seguro.
Os monitores do hotel estavam organizando um pólo aquático na piscina, acabei ficando de goleiro, só tem um pequeeeeeeeeeeeno detalhe, uso óculos desde os treze anos, eu devia ter uns cinco graus de miopia naquela época, e lá fui eu, para o gol, ceguinho.
Eu tava indo bem no gol, até que a bola rolou gramado afora, fui buscar a bola.
Parece uma cena de filme, mas é exatamente assim que eu me lembro, eu fui pegar a bola, me abaixei, quando fui levantando... era a garota mais bonita do mundo, meu olhar foi subindo desde o pé, até parar nos olhos dela, fiquei lá, com cara de bobo, olhando para ela, ela olhando para mim, eu não tinha idéia do que fazer, então fiz aquilo que qualquer tímido com dignidade faria, nada.
Voltei para o jogo. Engraçado que até hoje me lembro perfeitamente da hora que a bola rolou pelo gramado, eu lembro até hoje de eu pegando a bola, e ficando com cara de bobo, mas não lembro do final do jogo... Eu não consegui tirar ela da cabeça.
À noite eu fui ensinar um amigo a jogar truco, e lá estávamos nós no salão de jogos, ele tentando aprender, eu tentando esquecer.
Na frente do salão de jogos tinha uns monitores ensinando o pessoal a dançar as músicas da época (o hit do momento era 'vai sacudir, vai abalar', do Cheiro de Amor). De repente ela aparece com as amigas dela, fica lá dançando, e eu completamente embasbacado.
Meu amigo me deu uma lavada no truco aquela noite (mas quem liga para o truco nessas horas?).
Acabei conhecendo uns caras aquela noite, não lembro o nome deles, só lembro que eles eram babacas, e um deles conhecia essa garota. E ele ficou me contando que ia sair com uma galera nessa noite, e coincidentemente a garota iria junto.
Disse que ia deixar a menina bem bêbada e dar uns pegas nela - é, o cara era um porco, e todo porco adora contar vantagem, pena que eu só fui entender isso depois de muito tempo.
Quando estávamos os caras lá, todos fingindo ser muito machos do alto de nossos dezesseis anos, a garota aparece, e o cara babaca diz alguma grosseria para ela, não lembro do que se tratava, mas lembro que ela foi embora meio magoada.
Os caras babacas sairam naquela noite, eu fiquei no hotel, curtindo a paisagem, o mar. De repente eu a vejo, ela tava com as amigas no hall do hotel, eu tomei coragem, respirei fundo, e escrevi um bilhete, pedindo desculpas pela grosseria daquele cara.
Voltei para meu jogo de truco, e quem que aparece? Acho que ela era meio tímida também, porque ela só me olhou um pouco, e foi embora.
Então foi isso... naquela noite eu não consegui dormir. Eu ficava pensando no que eu gostaria de ter dito; eu gostaria de ter dito que ela era a garota mais bonita do mundo para mim, alta, magra, loira, olhos claros; eu gostaria de ter pedido o telefone dela; de ter pedido o endereço e prometido escrever durante o verão inteiro; eu queria ter ouvido a voz dela; queria que ela tivesse ouvido a minha voz.
Se eu tivesse uma chance de falar com ela hoje eu diria assim: 'você não me conhece, eu não conheço você, mas passados quatorze anos eu nunca me esqueci do dia em que te vi pela primeira vez, e nunca mais na minha vida me apaixonei como naquele verão, em Porto Seguro, quando tinha dezesseis anos, e vi a garota mais bonita do mundo.'.
E alguém no mundo se apaixona?
Aos curiosos de plantão, o nome dela é Marjorie, e, se alguém descobrir que uma garota como ela se apaixonou perdidamente por um cara meio atrapalhado e tímido pra caramba em um longínquo verão de Porto Seguro, não deixem de me avisar. ;D
A idéia da postagem de hoje é mais ou menos essa também, mas para ser mais exato, é sobre uma garota que eu amei secretamente, e que, talvez se a timidez tivesse sido menor, poderia ter sido uma grande paixão, vivida intensamente, sob um raio de sol, numa tarde de verão, numa praia qualquer (aiaiai, esse poeta enrustido que carrego dentro de mim...).
Eu tinha dezesseis anos, viajava pelo Nordeste com a minha família, estava hospedado em um hotel em Porto Seguro.
Os monitores do hotel estavam organizando um pólo aquático na piscina, acabei ficando de goleiro, só tem um pequeeeeeeeeeeeno detalhe, uso óculos desde os treze anos, eu devia ter uns cinco graus de miopia naquela época, e lá fui eu, para o gol, ceguinho.
Eu tava indo bem no gol, até que a bola rolou gramado afora, fui buscar a bola.
Parece uma cena de filme, mas é exatamente assim que eu me lembro, eu fui pegar a bola, me abaixei, quando fui levantando... era a garota mais bonita do mundo, meu olhar foi subindo desde o pé, até parar nos olhos dela, fiquei lá, com cara de bobo, olhando para ela, ela olhando para mim, eu não tinha idéia do que fazer, então fiz aquilo que qualquer tímido com dignidade faria, nada.
Voltei para o jogo. Engraçado que até hoje me lembro perfeitamente da hora que a bola rolou pelo gramado, eu lembro até hoje de eu pegando a bola, e ficando com cara de bobo, mas não lembro do final do jogo... Eu não consegui tirar ela da cabeça.
À noite eu fui ensinar um amigo a jogar truco, e lá estávamos nós no salão de jogos, ele tentando aprender, eu tentando esquecer.
Na frente do salão de jogos tinha uns monitores ensinando o pessoal a dançar as músicas da época (o hit do momento era 'vai sacudir, vai abalar', do Cheiro de Amor). De repente ela aparece com as amigas dela, fica lá dançando, e eu completamente embasbacado.
Meu amigo me deu uma lavada no truco aquela noite (mas quem liga para o truco nessas horas?).
Acabei conhecendo uns caras aquela noite, não lembro o nome deles, só lembro que eles eram babacas, e um deles conhecia essa garota. E ele ficou me contando que ia sair com uma galera nessa noite, e coincidentemente a garota iria junto.
Disse que ia deixar a menina bem bêbada e dar uns pegas nela - é, o cara era um porco, e todo porco adora contar vantagem, pena que eu só fui entender isso depois de muito tempo.
Quando estávamos os caras lá, todos fingindo ser muito machos do alto de nossos dezesseis anos, a garota aparece, e o cara babaca diz alguma grosseria para ela, não lembro do que se tratava, mas lembro que ela foi embora meio magoada.
Os caras babacas sairam naquela noite, eu fiquei no hotel, curtindo a paisagem, o mar. De repente eu a vejo, ela tava com as amigas no hall do hotel, eu tomei coragem, respirei fundo, e escrevi um bilhete, pedindo desculpas pela grosseria daquele cara.
Voltei para meu jogo de truco, e quem que aparece? Acho que ela era meio tímida também, porque ela só me olhou um pouco, e foi embora.
Então foi isso... naquela noite eu não consegui dormir. Eu ficava pensando no que eu gostaria de ter dito; eu gostaria de ter dito que ela era a garota mais bonita do mundo para mim, alta, magra, loira, olhos claros; eu gostaria de ter pedido o telefone dela; de ter pedido o endereço e prometido escrever durante o verão inteiro; eu queria ter ouvido a voz dela; queria que ela tivesse ouvido a minha voz.
Se eu tivesse uma chance de falar com ela hoje eu diria assim: 'você não me conhece, eu não conheço você, mas passados quatorze anos eu nunca me esqueci do dia em que te vi pela primeira vez, e nunca mais na minha vida me apaixonei como naquele verão, em Porto Seguro, quando tinha dezesseis anos, e vi a garota mais bonita do mundo.'.
E alguém no mundo se apaixona?
Aos curiosos de plantão, o nome dela é Marjorie, e, se alguém descobrir que uma garota como ela se apaixonou perdidamente por um cara meio atrapalhado e tímido pra caramba em um longínquo verão de Porto Seguro, não deixem de me avisar. ;D

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